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8 de mai. de 2011

O presente de ser mãe


"Nós estamos sentadas almoçando quando minha filha casualmente menciona que
ela e seu marido estão pensando em 'começar uma família'.

'Nós estamos fazendo uma pesquisa', ela diz, meio de brincadeira. 'Você
acha que eu deveria ter um bebê?'

'Vai mudar a sua vida,' eu digo, cuidadosamente mantendo meu tom neutro.


'Eu sei,' ela diz, 'nada de dormir até tarde nos finais de semana, nada de
férias espontâneas.. .

Mas não foi nada disso que eu quis dizer. Eu olho para a minha filha,
tentando decidir o que dizer a ela. Eu quero que ela saiba o que ela nunca
vai aprender no curso de casais grávidos.

Eu quero lhe dizer que as feridas físicas de dar à luz irão se curar, mas
que tornar-se mãe deixará uma ferida emocional tão exposta que ela estará
para sempre vulnerável.

Eu penso em alertá-la que ela nunca mais vai ler um jornal sem se perguntar
'E se tivesse sido o MEU filho?' Que cada acidente de avião, cada incêndio
irá lhe assombrar. Que quando ela vir fotos de crianças morrendo de fome,
ela se perguntará se algo poderia ser pior do que ver seu filho morrer.

Olho para suas unhas com a manicure impecável, seu terno estiloso e penso
que não importa o quão sofisticada ela seja, tornar-se mãe irá reduzí-la ao
nível primitivo da ursa que protege seu filhote. Que um grito urgente de
'Mãe!' fará com que ela derrube um suflê na sua melhor louça sem hesitar
nem por um instante.


Eu sinto que deveria avisá-la que não importa quantos anos ela investiu em
sua carreira, ela será arrancada dos trilhos profissionais pela maternidade
. Ela pode conseguir uma boa escolinha, mas um belo dia ela entrará numa
importante reunião de negócios e pensará no cheiro do seu bebê. Ela vai ter
que usar cada milímetro de sua disciplina para evitar sair correndo para
casa, apenas para ter certeza de que o seu bebê está bem.

Eu quero que a minha filha saiba que decisões do dia a dia não mais serão
rotina. Que a decisão de um menino de 5 anos de ir ao banheiro masculino ao
invés do feminino no McDonald's se tornará um enorme dilema. Que ali mesmo,
em meio às bandejas barulhentas e crianças gritando, questões de
independência e gênero serão pensadas contra a possibilidade de que um
molestador de crianças possa estar observando no banheiro.

Não importa o quão assertiva ela seja no escritório, ela se questionará
constantemente como mãe.



Olhando para minha atraente filha, eu quero assegurá-la de que o peso da
gravidez ela perderá eventualmente, mas que ela jamais se sentirá a mesma
sobre si mesma. Que a vida dela, hoje tão importante, será de menor valor
quando ela tiver um filho. Que ela a daria num segundo para salvar sua
cria, mas que ela também começará a desejar por mais anos de vida -- não
para realizar seus próprios sonhos, mas para ver seus filhos realizarem os
deles.

Eu quero que ela saiba que a cicatriz de uma cesárea ou estrias se tornarão
medalhas de honra.

O relacionamento de minha filha com seu marido irá mudar, mas não da forma
como ela pensa. Eu queria que ela entendesse o quanto mais se pode amar um
homem que tem cuidado ao passar pomadinhas num bebê ou que nunca hesita em
brincar com seu filho. Eu acho que ela deveria saber que ela se apaixonará
por ele novamente por razões que hoje ela acharia nada românticas.


Eu gostaria que minha filha pudesse perceber a conexão que ela sentirá com
as mulheres que através da história tentaram acabar com as guerras, o
preconceito e com os motoristas bêbados.

Eu espero que ela possa entender porque eu posso pensar racionalmente sobre
a maioria das coisas, mas que eu me torno temporariamente insana quando eu
discuto a ameaça da guerra nuclear para o futuro de meus filhos.

Eu quero descrever para minha filha a enorme emoção de ver seu filho
aprender a andar de bicicleta. Eu quero mostrar a ela a gargalhada gostosa
de um bebê que está tocando o pelo macio de um cachorro ou gato pela
primeira vez. Eu quero que ela prove a alegria que é tão real que chega a
doer. O olhar de estranheza da minha filha me faz perceber que tenho
lágrimas nos olhos.

'Você jamais se arrependerá', digo finalmente.


Então estico minha mão sobre a mesa, aperto a mão da minha filha e faço uma
prece silenciosa por ela, e por mim, e por todas as mulheres meramente
mortais que encontraram em seu caminho este que é o mais maravilhoso dos
chamados. Este presente abençoado de Deus... que é ser Mãe."


(Autor desconhecido)



6 de mai. de 2011

...Fui ser feliz e não volto.


"Tô me afastando de tudo que me atrasa, me engana, me segura e me retém.
Tô me aproximando de tudo que me faz completo, me faz feliz e que me quer bem
.
Tô aproveitando tudo de bom que essa nossa vida tem.
Tô me dedicando de verdade pra agradar um outro alguém.
Tô trazendo pra perto de mim quem eu gosto e quem gosta de mim também.

Ultimamente eu só tô querendo ver o ‘bom’ que todo mundo tem.
Relaxa, respira, se irritar é bom pra quem?
Supera, suporta, entenda: isento de problemas eu não conheço ninguém.
Queira viver, viver melhor, viver sorrindo e até os cem.
Tô feliz, tô despreocupado com a vida, eu tô de bem."


- Caio Fernando Abreu -

19 de mar. de 2011

História da Semana: Vários significados


Situação um - à esquerda, perto do playground.

"Uma garota carregando uma grande quantidade de pesados livros tropeça. Antes que ela caia, um senhor que passava por ela consegue segurá-la a tempo.
- Obrigada moço. Amo o senhor. - Fala ela enquanto aquele homem recolhe rapidamente seus livros e a entrega."

Situação dois - à frente, perto do estacionamento.

"Um rapaz abraça uma moça enquanto ela lhe entrega uns papéis.
- Obrigado por fazer meu trabalho, Júlia. Nunca conseguiria entregá-lo se não fosse você. Eu te amo, viu?
Ela fica corada e simplesmente sorri enquanto ele se afasta rapidamente."

Situação três - à direita, perto da barraquinha de cachorro-quente.

"Um grupinho de meninas conversa animadamente.
- Gente, admito. Estou apaixonada por ele. - Diz uma.
- Você tem que dizer a ele! - Estimula outra.
- E você quer que eu diga como? 'Um bom dia pra você também, Marcos. Ah, só pra avisar que eu amo você' ?"


Situação quatro - à esquerda, no banco detrás.

"Um homem chora ao telefone.
- Deixa ela ficar com ele. Não vou atrapalhá-la.
Pausa.
- Porque ela merece ser feliz. E mesmo que não seja comigo, não vou impedir isso!
Pausa.
- Eu sei... Eu ainda a amo. Mas não dá pra esquecer rápido, tá?"



Depois de me apontar todas essas cenas que acontecia próximo à nós naquele parque, ele se vira e me pergunta:
- Então... Quem você acha que tem razão? Você realmente acredita que todas essas pessoas estão amando?
- Você me fez a pergunta errada. O correto seria: será que todas essas pessoas sabem o real significado dessa frase?
- Bom, se não sabem ainda, com certeza um dia saberão. - Reflete ele.
- E vão acabar se arrependendo de dizer isso da boca pra fora...
- Exatamente. E a diferença entre amor e qualquer outro sentimento é tão óbvio! Acredito que algumas dessas pessoas deveriam olhar o exemplo, baixar a cabeça e sentir remorso por fazerem isso.
- Que exemplo?
Ele me lança um breve sorriso enquanto se vira para olhar novamente para o homem que chorava ao telefone.
- A gente.




8 de mar. de 2011

História da Semana: Mulher em Cinzas

"A mulher nasce num mundo preto e branco, pois assim que vem ao mundo lhe jogam cinzas para lembrar-lhe que para merecer as cores do mundo é necessário lutar.

A mulher cresce querendo voar, correr; mas lhe jogam cinzas para lembrar-lhe que sua vida é dentro de casa treinando seu futuro: brinca de casinha, brinca de boneca.

A mulher sente a alegria da primeira menstruação; mas lhe jogam cinzas para lembrar-lhe que aquilo dali acompanha a dor da cólica e suas aparentes limitações.


A mulher se destaca em seu grupo de amigos; mas lhe jogam cinzas para lembrar-lhe que sem um homem naquela turma nada fica tão divertido.

A mulher se apaixona; mas lhe jogam cinzas para lhes fazerem chorar, pois a total entrega é algo errado e machuca.

A mulher consegue um bom emprego; mas lhe jogam cinzas para lembrar-lhe que o contracheque masculino é mais valioso.

A mulher tem um orgasmo; mas lhe jogam cinzas, castrando-a, para lembrar-lhe que o prazer é exclusividade masculina.

A mulher se casa; mas lhe jogam cinzas para lembrar-lhe que a fidelidade compete a ela e não a seu marido.

A mulher se torna ousada; mas lhe jogam cinzas para lembrar-lhe que seu papel é regido por determinados gestos, modelos e atitudes e não à inovação.

Enfim, a mulher vive num mundo cinza. E depende de cada ser feminino lutar pelas cores do seu mundo. Por isso, sacuda as cinzas em volta de ti, mulher, e saia para brilhar! Pois quando toda essa luta valer à pena, notará que o colorido desse mundo vem de vocês, de nós..."

(A.C. Lucena)





8 de Março, Dia Internacional da Mulher - Um dia antes da Quarta-feira de Cinzas de 2011.



4 de mar. de 2011

História da Semana: Uma noite de sexta-feira

Olá honráveis leitores do TNJ!


O poderoso-chefão do blog e seus colaboradores estão decididos a melhorar ainda mais esse espaço. E como agora, com muito orgulho, estou também na equipe farei minha parte nessas mudanças.


Semanalmente será postado por mim a "História da Semana". Não haverá dia específico, mas com certeza toda semana haverá um post dedicado a ela. Aviso que nem todas as histórias postadas será de minha autoria, quando isso acontecer, colocarei onde a encontrei. Mas farei o possível que maioria delas sejam assinadas pela Lucena aqui. \o/


Aviso também que não se preocupem. As histórias serão curtas, mas sempre procurarei passar alguma mensagem com elas.


E como tudo na vida é experiência, continuarei com esse pequeno projeto se vocês o aprovarem. Por isso, não deixem de comentar.


UMA NOITE DE SEXTA-FEIRA


Sexta-feira, 19h. Você sai do trabalho e/ou curso bastante cansado. Ou simplesmente tinha passado o restante do dia sem fazer nada em casa depois de uma manhã exaustiva. Vai pro computador, entra no MSN, Orkut, Facebook, Twitter... Não vê nenhuma novidade. Começa a bater aquele tédio. Já fica pensando: "provavelmente minha noite vai ser vendo novela/seriados, assistir Big Brother e comer comida congelada quando tiver fome." Os ruídos normais da sua casa começam (familiares ou companheiros de apartamento falando e fazendo coisas alheias a você; caso você more sozinho é pior ainda, já liga a televisão para ter um barulho na casa), você sabe que aquilo dali também significa que é a monotonia chegando para te fazer companhia.


Mas aí... bem na hora do banho seu telefone toca (porque telefone sempre toca naquelas horinhas inconvenientes)... Você sai molhando todo o banheiro e o telefone para atender. Escuta a voz do seu amigo dizendo palavrinhas mágicas: "vamos sair com a turma?"

Ebaa! \o/ Você termina de tomar banho rápido e começa a pensar que nem tudo pode estar perdido ainda. Afinal, você vai ter aquela oportunidade de se desestressar com a galera depois de uma semana de cão!!! lo/\o/\ol

Uma hora depois, ao encontrar com sua turma você já começa a rir. Aquele rapaz tímido já está bêbado e está filosofando aos quatro ventos que ama vocês e começa a dizer o quanto é fã de Paulo Coelho. As pessoas mais corajosas da roda começam a fazer brincadeiras que vão aumentando de nível e cada vez mais com menos seriedade... As fofocas começam a rolar; ou melhor, elas começam a acontecer! Dança, música e muitos risos imperam naquele ambiente entre vocês. Quando menos se vê já está na hora de fechar o lugar em que estão. São os últimos clientes que saem.


"E agora?" pergunta um. "Ah, vamos todo mundo lá pra casa que a noite ainda não acabou!" responde outro. Começa a maratona para continuar com a galera. Alguns poucos desistem, mas os mais legais (geralmente) persistem. Lá na casa do seu amigo, alguém pega o violão e vocês começam um luau sem lua e sem praia e ainda por cima num ambiente fechado. A cantoria desafinada se inicia e a última coisa que você pensa é se os vizinhos estão dormindo. Você ri mais. Começam a discutir as fofocas que rolaram no começo da noite; e se você for o alvo da fofoca é ainda mais intenso o momento. Não vai parar de chover conselhos/críticas/zuações sobre você.

Alguns começam a dormir ali mesmo. Você olha para o céu. Um rastro de luz vem surgindo... Droga. Você se despede e ajuda alguns amigos que precisam, dando um de motorista ou companhia para casa. (Nesse caso se não for você que precise de ajuda).

Você chega na sua casa muito cansado e bem satisfeito. Pode acabar se jogando na cama no mesmo estado que chegou ou se arrisca para um banho rápido antes de deitar.

Mas ao sentir o cheiro do travesseiro, um leve sorrisinho brinca nos seus lábios... "Ah, hoje ainda é sábado!". Dorme serenamente pensando em quais surpresas sua noite pode te reservar de novo.